Nova etapa do processo seletivo começa neste domingo (12) e 13,5 mil candidatos disputam 2,5 mil vagas em 69 cursos. Diretor fala sobre nível de dificuldade e composição das avaliações.

Direitos humanos, conflitos na América Latina e preservação ambiental estão entre os assuntos que devem ser abordados em questões das provas da 2ª fase do vestibular 2020 da Unicamp, segundo professores de dois cursinhos preparatórios ouvidos pelo G1. Esta etapa do processo seletivo começa neste domingo (12) e 13,5 mil candidatos disputam 2,5 mil oportunidades em 69 cursos de graduação.

Com objetivo de auxiliar os estudantes, a reportagem também ouviu os especialistas sobre o nível de dificuldade esperado na prova; e o diretor da comissão organizadora do exame (Comvest), José Alves de Freitas Neto, acerca do processo de escolha das perguntas que integram os dois dias de avaliações.

Esta é a primeira vez em que o formato passa a ter dois dias de provas dissertativas com cinco horas de duração cada um, enquanto que até a edição anterior eram três dias, cada um deles com quatro horas. Os portões fecham às 13h e a duração da prova é de cinco horas.

Temas prováveis

O coordenador-geral da Cooperativa do Saber, Thales Leite Montagnana, acredita que temas sociais e questões sobre ditaduras na América Latina, por exemplo, são prováveis. Para ele, as escolhas refletem a busca da Unicamp por alunos críticos e que estejam atentos aos assuntos em evidência no cotidiano.

“Temas envolvendo o meio ambiente e até mesmo o que é ciência a Unicamp deve querer abordar”, explica o professor ao mencionar que as formulações visam selecionar candidatos com habilidades para ler e interpretar diferentes formas de linguagem, incluindo gráficos, tabelas e imagens.

Para o coordenador do curso Poliedro Campinas, Vitor Ricci, o vestibular da Unicamp se destaca por levar aos candidatos questões atualizadas e até políticas. Ele lembra que, na edição anterior, uma das perguntas fez referência ao assassinato de Marielle Franco, em março de 2018, quando à época ela era vereadora do Rio de Janeiro. “Envolve conteúdo, interpretação e contextualização.”

Segundo o docente, outros itens que surgem como “apostas” da instituição durante a prova são: o processo de saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), a guerra comercial entre Estados Unidos e China, o conflito na Caxemira, as relações ecológicas e preservação ambiental, além de engenharia genética. “A tensão entre Estados Unidos e Irã provavelmente não deve aparecer”, falou o docente.

Nível de dificuldade

De acordo com Montagnana, a expectativa é de que as perguntas mais difíceis do segundo dia de provas sejam as interdisciplinares, justamente por abordarem duas ou mais disciplinas, além das específicas.

“A Unicamp divide muito bem o vestibular, com perguntas fáceis, médias e difíceis. Vejo o novo formato de maneira positiva porque mantém disciplinas padrões e também avalia a parte que o aluno está mais interessado, tem mais traquejo”, avalia o professor.

Ricci acredita que a Unicamp deve manter o nível de dificuldade proposto nas edições anteriores do vestibular. Ele também aposta que as questões mais exigentes serão as específicas, enquanto que inglês – ainda que a novidade seja a volta para a 2ª fase – provavelmente será focado em interpretação de texto.

“Espera-se uma prova equilibrada. Nas específicas, como as de física e química, a universidade vai precisar aumentar um pouco o nível para separar o bom candidato do muito bom”, destaca.

Como será a prova?

O diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto, explica como é a distribuição das questões.

2ª fase

A 2ª fase do vestibular 2020 está marcada para os dias 12 e 13 de janeiro. Está será a primeira vez em que o formato passa a ter dois dias de prova dissertativa com cinco horas de duração cada um, enquanto que até a edição anterior eram três dias, cada um deles com até quatro horas para término.

  • Primeiro dia: oito questões de português, duas interdisciplinares de inglês e uma redação (composta por duas propostas de textos para que o candidato execute apenas uma).
  • Segundo dia: seis questões de matemática; duas questões interdisciplinares de ciências humanas; duas questões interdisciplinares de ciências da natureza; e parte específica por área:
  • Candidatos em ciências biológicas/saúde: seis questões de biologia e seis questões de química;
  • Candidatos em ciências exatas/tecnológicas: seis questões de física e seis questões de química;
  • Candidatos em ciências humanas/artes: seis questões de geografia e seis questões de história, incluindo conteúdos de Filosofia e Sociologia.

As avaliações de habilidades específicas (exigidas aos candidatos de arquitetura e urbanismo, artes cênicas, artes visuais e dança) serão entre os dias 20 e 24 de janeiro. A divulgação da primeira chamada ocorre em 10 de fevereiro, enquanto que a matrícula (não presencial) dela será em 11 de fevereiro.

Fonte: G1